Raimo Benedetti conta o que é o Cinema das Atrações

O Cinema das Atrações é um estudo inédito no Brasil. Segundo Raimo Benedetti trata-se de um riquíssimo período de  produção livre, desenfreada, sem censura e transmidiática porque acontecia ao lado de apresentações musicais na presença de uma condutor.

Entre os dias 4 a 8 de maio, Bendetti estará no Centro Cultural b_arco, para o curso Cinema das Atrações, onde serão tratados temas como os primórdios do cinema e a habilidade de maravilhar o espectador, assim como a relação deste período com os formatos atuais.

 Foto: Fabiana Stig

 Raimo Benedetti é videoartista, cursou Cinema e Vídeo na Escola e   Comunicações e Artes da USP. Trabalha com vídeo desde os anos 1990 e atua como professor, produtor e montador de filmes cinematográficos. Foi bolsista do centro de arte contemporânea Arteleku, Espanha em 2003. Indicado ao Prêmio Sérgio Motta em 2009 e contemplado pelo projeto Rumos Audiovisual de 2010 do Instituto Itaú Cultural.

 
 
 
Leia abaixo a entrevista com Raimo Benedetti:
1 – O que significa “Cinema das Atrações”?

R: O período do Cinema das Atrações abrange os 10 primeiros anos de produção de imagens animadas a partir da invenção do Cinematographo  dos irmãos Lumiére em 1895. No ano seguinte o invento rivalizava com outra descoberta que até então parecia bem mais promissora, o raio x. O percurso que levou o cinema a sua consolidação como um advento popular e autônomo marca o período do cinema das atrações, um momento onde não havia a “linguagem cinematográfica” sendo os filmes em sua maioria de 1 único plano e de curtíssima duração.  Esse nome foi cunhado pelo historiador norte-americano Tom Gunning que percebeu nos filmes da época seu poder de atrair, seduzir e espantar através de gêneros muitas vezes populares, bizarros, sexuais, grotescos, fantasmagóricos etc. 

 
2 –   Porque seu interesse por esse cinema? E porque falar disso hoje?

R: Esse é um riquíssimo período de uma produção livre, desenfreada, sem censura e transmidiática porque  acontecia ao lado de apresentações musicais na presença de performers. A historiografia do cinema praticamente apagou esse período da história porque ele pouco se  relaciona com aquilo que hoje entendemos como “cinema”. Nessa época os filmes eram apresentados em muitos lugares como feiras livres, parques de diversão, teatros de variedades e em espetáculos de mágica incluindo aí o de George Méliès que antes de ser cineasta era um mágico que usava o cinema para seus truques. Acho que hoje é importante falar sobre esse cinema porque estamos mais acostumados com o cinema fora da sala de cinema, ou seja o cinema expandido cujas imagens ocupam as ruas, os tablets, telefones móveis, os festivais de VJs ou o mapping.

3 –  Você acha que essa categoria, criado no início do cinema se assemelha com a internet, hoje?

R: Bingo! Isso não sou só eu que acho, mas se começa a perceber que a liberdade formal, a minutagem restrita, a participação do público e o poder apelativo que encontramos fartamente na internet muito se parece com a conjuntura desse primeiro cinema. Acho que o estudo desse período é importantíssimo para entendermos melhor como se dão os mecanismos de funcionamento da internet como panorama irreversível de difusão que se abre para a produção audiovisual cujo o espaço ainda é pouco ocupado pelos cineastas, videastas ou os tradicionais realizadores audiovisuais. Se você analisar o Zeitgeist do Google 2012 para o Brasil, por exemplo, verá que não há em nenhuma categoria most searched  citação de filme, ator ou cineasta.

4 –    Cite alguns filmes e cineastas que faziam parte dessa fase do cinema?

R: Sua pergunta é reveladora, pois a figura do cineasta assim como a sala de cinema não é característica desse momento pois só surge depois que o cinema se consolida como uma mídia popular. Dos filmes que sobraram do período vemos que a produção era comanda por empresas e não pessoas, o que já deixa claro sua vocação industrial.  Dessas empresas, que viriam a se chamar “produtoras” e depois “estúdios” podemos destacar a Star Film de Méliès, a Edison Company Films de Tomas Edison, Americam Mutoscope  (a Biograph) e a Pathé Frères. Verermos no curso filmes de todas elas.


 
 
 
 
 
 
 
 
5 –    Qual é o público alvo do curso que você vai realizar no Centro Cultural b_arco?

R: Até onde eu sei não existe no Brasil um curso dedicado somente ao Cinema das Atrações, essa é uma iniciativa inédita que com muito orgulho divido com o b_arco. Acho que esse assunto é desconhecido para o público em geral mas essencial para qualquer pessoa ou profissional que tenha interesse em cinema, vídeo, artes visuais ou artes digitais. Meu objetivo é tentar projetar o participante a uma experiência cinematográfica da época com a visualização de uma centena de pequenos filmes localizados dentro do panorama histórico em que  o cinema se desenvolveu.

Saiba mais sobre o curso



 

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