Sebastián Gadea e seu olhar sobre a Tv e a Web.

O Diretor Argentino de Tv Sebastián Gadea, que atualmente dirige “A Liga”, programa jornalístico da Band, vai ministrar no b_arco o curso Criação e direção de formatos televisivos de não ficção, que tem início no dia 26 de abril e se estende até 14 de junho. Sebastián bateu um papo com a gente falando sobre o Mercado da televisão, direção, criação, suas possibilidades e muito mais.  “ Os canais da internet são o fenômeno do momento, e como todo fenômeno, ainda é difícil distinguir quais são os fatores de sucesso”. Leia a entrevista na íntegra.

 sebastian gadea
 
1 – Como você observa o crescimento do mercado televisivo nas últimas décadas?

SG: Nos últimos anos a TV brasileira vem entrando numa revolução que é parte de um fenômeno mundial. A massificação da internet e os avanços tecnológicos possibilitaram que conteúdos de qualidade sejam produzidos por novos atores e publicados em novas plataformas, fugindo assim das pesadas estruturas da histórica indústria televisiva. Fenômenos como NetFlix e YouTube redefiniram as regras, onde cada vez mais a aposta é diversificar, dando ao espectador a possibilidade de ser o próprio programador, escolhendo quando assistir e o mais importante, tirando a exclusividade do aparelho de televisão como plataforma de exibição. Isso vem enriquecer as possibilidades do mercado, colocando novos modelos de negócios como por exemplo o canal “Porta dos Fundos”.  Do mesmo jeito, na televisão a cabo, a “lei da Tv Paga” implementada em 2011 possibilitou o aquecimento da indústria televisiva convencional.

2 – O que mais dificulta e mais contribui positivamente para se fazer TV no Brasil em relação a outros Países  em que você  trabalhou como Argentina, Chile, Equador e Espanha?

SG: Os principais desafios de produzir Tv aberta no Brasil em relação a Argentina ou Espanha tem a ver com certa rigidez das emissoras e muitas vezes da própria audiência na hora de aceitar conteúdos diferentes dos êxitos populares instalados na cultura televisiva. Também sendo maior a magnitude do mercado, as emissoras são muito mais cuidadosas sobre os conteúdos e por isso a tomada de riscos é mais limitada, tornando a TV conservadora em todos os aspectos. Resulta insólito debater em pleno 2014 um beijo gay em tal telenovela ou qual reality show.

3 – Como foi a sua trajetória até chegar na direção do Jornalístico “ A Liga”? Quais são as habilidades para se dirigir um programa de TV?

SG: A produtora Eyeworks Cuatro Cabezas se destacou na Argentina nos últimos 15 anos por apostar nas produções inovadoras apoiada em dois pilares básicos: conteúdos de qualidade e vanguarda estética. Independente de ter me formado em “Produção integral de TV”, minha verdadeira formação se deu trabalhando. Na casa passei por vários formatos, e fui parte da equipe que desenvolveu o “A Liga” na sua versão original lá na Argentina. Depois atuei como produtor jornalístico também na versão espanhola e vim aqui para o Brasil sendo responsável das equipes de externa e dos conteúdos que elas produzem. Antes da estreia da primeira temporada em 2010, o diretor na época começou a dirigir o CQC e eu assumi o comando do programa desde então e continuo. Agora estamos na quinta temporada.

As principais habilidades que eu acredito serem necessárias para dirigir um programa de TV são experiência, capacidade de liderar equipes muito dinâmicas e diversas,  flexibilidade para lidar com os limites e jogo de cintura para trabalhar com os diretores das emissoras.

4 – No curso que você irá ministrar no b_arco, Criação e direção de formatos televisivos, você passará por todas as etapas de criação, qual a importância dessa vivência para o aluno?

SG: Em primeiro lugar esse curso é dado com a vocação de transmitir para os alunos a experiência real do trabalho na primeira linha da indústria audiovisual sabendo que é importante distinguir e desmitificar a questão das virtudes excepcionais dos profissionais e assim fortalecer as próprias capacidades dos assistentes.  A ideia do curso é trabalhar em função da dinâmica do grupo, para que os alunos possam sentir o processo vivo de criar e dirigir, administrando equipes em função das suas características. Passar por todas as etapas da criação de um projeto audiovisual com o propósito de transmitir experiências e debater as mesmas, apoiando a vivência com exercícios e exemplos concretos.

 
5 – Como produtor qual a sua observação sobre a relação da produção nos canais da internet?

SG: Os canais da internet são o fenômeno do momento, e como todo fenômeno, ainda é difícil distinguir quais são os fatores de sucesso e onde se confunde a plataforma com a qualidade dos produtos a serem feitos. Isso produz uma corrida em função de tentar reproduzir o sucesso do canal pioneiro, como no caso do Porta Dos Fundos. Esse processo é saudável porque lança várias opções ao mercado, mas quando a moda passa isso vai separando o que é bom do que não é.  Mesmo assim cabe destacar que, tanto como na indústria televisiva convencional, qualidade nem sempre é sinônimo de sucesso e tristemente muitas vezes basta  tentar emular o sucesso alheio para virar uma opção para os programadores, só que no caso da internet pelo menos a decisão estar nas mãos dos espectadores.

Comunicação, b_arco
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