As Transmutações da Fotografia

As Transmutações da Fotografia

com Daniela Bousso
> O curso visa explorar a atuação artística da forma-fotografia, de Marcel Duchamp, no Modernismo, até os dias de hoje.


Data

  • 12 e 19 de outubro de 2019
    Sábados, das 10h30 às 15h (1h de intervalo)

Valor

Detalhes Preço Qtd
À vistaMais Detalhes  R$390,00 (BRL)  
Parcelado - 2xMais Detalhes  R$215,00 (BRL)  

Inscreva-se aqui

Caso ainda tenha alguma dúvida, por favor, fale pra gente!


Apresentação

Segundo Lev Manovich, a fotografia é algo semelhante a um vírus que se transmuta ininterruptamente. De fato, como um código representativo incrivelmente resistente, ela tem sobrevivido a todas as ondas de mudanças tecnológicas. Um dos segredos da sobrevivência do código fotográfico deve residir em sua flexibilidade não só para a autotransformação, mas também para as misturas com outras formas visuais.

A despeito da sua invejável mutabilidade, é possível estabelecer três grandes fases da fotografia, desde o seu advento na primeira metade do século 19. Essas fases caminharam pari passu com mudanças no seu suporte técnico, a saber, (a) a fotografia obtida em suportes analógicos, (b) a emergência do suporte computacional nos anos 1980, então chamada de fase pós-fotográfica ou infográfica e (c) a fase contemporânea que vem recebendo o nome de fotografia expandida. Em todas essas fases, a fotografia levou e continua levando vidas paralelas, de um lado, sua função documental, de outro, a subversão dessa função nas suas aproximações, parentescos e realizações nos territórios da arte.

As vanguardas dadaístas e outras já subvertiam as normas implícitas na fabricação dos aparelhos e dos materiais e transgrediam os modelos e a gramática da nova linguagem fotográfica que os artistas, então, erguiam ao panteão das artes.

Entre o final dos anos 1950 e o limiar dos anos 1960, as fronteiras da arte do Modernismo foram borradas por ações artísticas que desconsideraram o mito da pureza e a arte foi às ruas. Naquele momento a fotografia esteve ao lado dos Happenings e Performances e, em seguida, a Land Arte e a Arte Conceitual não podiam dispensar a fotografia como parte integrante das obras.

A emergência do computador como mídia disponível para a criação imagética de base numérica, nos anos 1980, provocou um verdadeiro abalo sísmico no código fotográfico analógico, especialmente pela possibilidade de transmutação do fotográfico, introduzida pelo computador. Entretanto, antes mesmo que a imagem infográfica tivesse começado a produzir efeitos de hibridação sobre o paradigma fotográfico, as relações entre foto, cine e vídeo já tinham se tornado permeáveis, fenômeno a que Bellour deu o nome de Entre –imagens. O grande operador das passagens foi certamente o vídeo no seu papel de atravessador, ao realizar as passagens entre o móvel e o imóvel, entre a analogia fotográfica e o que a transforma, de modo a produzir entre foto, cinema e vídeo uma multiplicidade de sobreposições e de configurações imprevistas que introduziram um outro tempo da imagem.

O poder para a hibridação da infografia foi cada vez mais abrindo caminho para a fase contemporânea da fotografia expandida, definida como aquela que rompe com a tradição visual fotográfica original e amplia sua órbita conceitual no que diz respeito à produção da imagem fotográfica. Em suma, são experiências diversificadas que têm conduzido a um crescente vazamento das fronteiras do fotográfico.

Tendo como base as fases históricas acima explicitadas, este curso visa explorar a atuação artística da forma-fotografia, de Marcel Duchamp, no Modernismo, até os dias de hoje. Em que situações e condições a fotografia adquire o status de arte? Quais são os empréstimos e negociações entre fotografia, cinema, vídeo e novas mídias? Que grau de importância para a arte contemporânea tem a fotografia hoje? O que é fotografia expandida? Estas são apenas algumas das questões que surgem quando nos referimos ao dispositivo fotográfico e suas mutações entre a Revolução Industrial e o advento da Cultura Digital.

 

Conteúdo

Entre Duchamp e Warhol: a foto como ferramenta, a foto como registro.
Com Marcel Duchamp, surge o Ready Made como objeto que não prescinde de um registro fotográfico, mas que “arrasta consigo uma mudança na estrutura dominante da representação”, no dizer da teórica Rosalind Krauss em “O fotográfico”. Será analisada a obra “O Grande Vidro”, entre outras, cujas características estruturais das formas de representação são desmontadas pelo caráter indicial do meio fotográfico. A foto atesta o declínio do objeto em prol dos processos na arte: Fluxus, Happenings, Land Arte e Arte Conceitual tem na fotografia uma fiel parceira, da qual não podem prescindir. Andy Warhol borra fronteiras e promove a “desordem da casa”. A fotografia estimula a “despictorialização” da arte. É a vez da arte contaminada pela cultura de massas opor-se à ideia de “grande arte” proposta por Francis Bacon e sua pintura.

O estatuto artístico da fotografia
Nos anos 1980 e 1990, a fotografia é alçada ao status de “Arte” a partir da noção de uma “ontologia maquínica”. Na esteira da arte conceitual, a arte – fotografia emerge como resultado de um processo de declínio dos valores materiais e artesanais da arte e vai selar a vitória da arte conceitual sobre a arte objetual. A foto vem para opor uma espécie de quase-objeto (tecnologia) aos objetos artísticos canônicos (manuais) concretizados pela pintura. Neste momento, os materiais que configuravam a pintura e a escultura tradicionais sofrem um esgotamento estético e agrava-se a crise da representação. A fotografia torna-se um dos principais materiais da Arte Contemporânea no momento em que a reportagem e o documento fotográfico são atingidos por grave crise de confiança. É o momento em que se percebe que o real não é tão real quanto pode parecer e que ele pode estar associado a “outras realidades”, inventadas. Avançam as tecnologias de foto, filme e vídeo, das quais os artistas passam a fazer uso recorrente. Surge uma arte multimídia, a qual se instaura a partir de uma lógica de visualidade que o fotográfico instituiu. Cria-se o paradigma do fotográfico, surgem as instalações fotográficas, as videoinstalações construídas a partir de um dispositivo de registro, englobando o cinema, a TV e o vídeo.

Cinema, video e prática fotográfica: empréstimos, negociações e singularidades.
Com o advento do computador surgem as imagens de síntese numérica, ainda nos anos 1990.
As matrizes, antes processadas a partir da sensibilização química (foto, cinema e vídeo), agora decorrem de números na memória do computador e pontos (pixels) e são visualizadas na tela do vídeo. A tradicional divisão entre referente e signo sofre um abalo por parte da imagem digital. E já que os programas computacionais tem o poder de transformar a imagem a tal ponto que não restam traços (índices) do referente, a idéia de veracidade de uma foto cai por terra. A imagem pós-fotográfica altera a essência simbólica do referente e adentra a era da simulação. A convergência dos meios permite mixagens entre imagens, sons, ruídos, narrativas, textos. A utilização de softwares propicia a interatividade nas instalações e em outras formas de criação artística.

A fotografia expandida
Já está instaurada a interatividade na arte e a participação do espectador tornou-se recorrente nas instalações e ambientes virtuais. A forma-fotografia continua em trânsito, promove passagens e se expande. Agora migrada para o digital, com toda essa complexidade, a fotografia empreende diálogos transversais em voo livre, transformando o referente e recriando paisagens, mixando, remixando, simulando inclusive outros meios, como a pintura, gerando novas tensões e recriando o mundo a partir de uma ótica que transita entre a realidade e a ficção. Agora não é mais o caso de confiança ou não em relação ao referente: trata-se, antes de tudo, do exercício de possibilidades infinitas, que libera o artista de qualquer regra para o fazer artístico. Como consequência, este fazer agora só deve satisfações a um único e exclusivo indicador: o mercado da arte. Isto é bom? Depende. A perspectiva crítica sempre foi salutar para a arte, em termos das tensões que pode gerar.

 

Aluno

Público-alvo: estudantes, jornalistas, artistas, professores, profissionais da área de museus, arte educadores, aspirantes à crítica e curadoria, profissionais da área da cultura, estudantes, profissionais de comunicação e semiótica, arquitetos, designers, tecnólogos da informação, colecionadores, interessados em arte contemporânea em geral.

Carga horária total: 02 encontros – 7 horas

 

Sobre a professora

Daniela Bousso é curadora, crítica de artes visuais, dirigente cultural e docente. Escreve e organiza livros de arte. Colabora com a Revista Select e com o Canal Contemporâneo. É Doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC.
Dirigiu o Paço das Artes e o MIS – Museu da Imagem e do Som em simultaneidade, onde trabalhou na concepção e implantação do projeto de reposicionamento do MIS-SP.

Foi curadora das sete primeiras edições do Prêmio Sérgio Motta de Arte e Tecnologia. Também coordenou a primeira edição do Projeto Rumos Visuais do Itaú Cultural, entre 1997 e 1998.

Também foi curadora de mais de 70 exposições realizadas e recebeu diversos prêmios, como: APCA “Curadora Revelação” e “melhor programação do ano” (1992); APCA, Projeto Ocupação, 2004, Paço das Artes SP.

Professor


Inscreva-se aqui

Caso ainda tenha alguma dúvida, por favor, fale pra gente!

Caso ainda tenha alguma dúvida, por favor, fale pra gente!

  (11) 3081-6986
 (11) 94528-8833
  atendimento@barco.art.br

Local

Fechar Menu
Close Panel