Faça a Coisa Certa – O Cinema de Spike Lee

com
Dodô Azevedo
> Análise da filmografia e importância do cineasta para a arte e a política norte americana hoje.

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25 de agosto a 2 de setembro de 2020

terças e quintas, das 19h às 21h30

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Quando Spike Lee apareceu e assombrou o mundo no Festival de Cannes de 1989, os críticos o chamaram de “perigoso agitador de massas”. Estava ele apresentando sua obra-prima, “Faça a Coisa Certa”. O filme que segundo tanto os diretores Kleber Mendonça Filho, de “Bacurau”, quanto Jordan Peele, de “Corra”, afirmam tê-los feito decidir tornarem-se diretores de cinema. 

“Faça a Coisa Certa” prometia em seu título alguma orientação. Algo que nos fizesse ter alguma ideia do que é fazer a coisa certa. O filme fazia exatamente o contrário: desorientava, defendia com o mesmo brio e brilho dois, às vezes três pontos de vistas absolutamente opostos. 

Reage-se com surpresa quando se revela que Spike Lee não veio do movimento negro americano, e sim do multi-racial e multicutural movimento No Wave, que da Nova Iorque dos anos 80 trouxe ao mundo diretores brancos como Jim Jarmush, bandas de rock como os Talking Heads, e artistas plásticos como Jean Michel Basquiat. 

Antes do multicolorido “Faça a Coisa Certa”, Spike Lee havia estreado com o visionário “Ela quer tudo”, uma homenagem à sua cineasta predileta, a militante feminista e amiga Lizzie Borden. Após “Faça a Coisa Certa”, Spike Lee passa a lidar com orçamentos decentes. Com eles faz seu filme à respeito da submissão dos músicos negros de jazz a seus empresarios brancos “Mais e Melhores Blues” e sua crônica da tragédia do Crack para a comunidade negra do Brooklyn, disfarçada de romance interacial “Jungle Fever”.

Então, ousa. Resolve trazer para a tela a biografia do líder do movimento negro considerado mais perigoso pelo governo americano. O grandioso filme “Malcom X”, com suas quase 4 horas de duração é, até hoje, o único filme da história do cinema cuja a equipe foi autorizada a filmar na sagrada cidade de Meca. 

O filme incendeia a América, casos de revoltas raciais matam centenas e causam bilhões em prejuízo. Estamos em 1990. É o fim de Spike Lee. Que tenta sobreviver dirigindo por décadas filmes com personagens brancos e documentários. 

Até que, em 2018, o renascimento. “Infiltrado na Klan” traz pela primeira vez um Oscar e o reconhecimento de Spike Lee como um dos mestres do cinema contemporâneo. Em 2020, ele estreia “Destacamento Blood”, a visão dos soldados negros americanos sobre a guerra do Vietnã. Como em todos os filmes de Spike Lee, o espectador quem terá que julgar quem está fazendo a coisa errada e quem está fazendo a coisa certa.

O curso “Faça a Coisa Certa – O cinema de Spike Lee”, esmiúça toda estas histórias, traz outras, analisa filmografia e importância do cineasta para a arte e a política norte americana hoje. 

 

 

Cronograma

Aula 1. School Daze, School Days, Dias de estudante – A formação de Spike Lee. No Wave, o movimento que moldaria o seu cinema. A influência da cineasta Lizzie Borden, ativista feminista radical e cineasta punk,  em seu trabalho. “Ela quer tudo” – Emancipação do desejo feminino e masculinidades negras.

Aula 2. Faça a coisa certa. – Os anos no estúdio Universal. Em Cannes, Spike Lee assombra com obra-prima de estrutura dramática grega clássica. Faça a Coisa Certa, porém, é mal recebido tanto por brancos quanto pelo movimento negro. Se coloca em um não-lugar. Se engalfinha com Cint Eastwood por causa da biografia de Charlie Parker. Faz o seu filme de Jazz. Mo’better Blues. Monta sua própria companhia de colaboradores fixos. Torna pop nomes consagrados do teatro negro, como Ruby Dee e Ossie Davis.  Lança no mercado profissionais negros de cinema como o fotógrafo Ernest Dickerson e a figurinista Ruth E. Carter.

 

Aula 3. Time Malcom X. – Realiza “Febre da Selva”, seu filme de denúncia do problema do crack com o negro americano na década de 90 e espelhando o momento que o Brasil vive hoje. Debate colorismo a amor interracial. Realiza seu trabalho mais ambicioso. Malcom X é boicotado e só realizado com ajuda financeira de artista milionários negros norte americanos. Se converte ao Islã, como Malcom. É o único cineasta da história autorizado a filmar na cidade de Meca. Lança o filme em meio a distúrbios raciais que matam quase 200 pessoas e dão prejuízo de 8 bilhões de dólares. É considerado incitador e se torna  proscrito em Hollywood.

 

Aula 4. O reconhecimento. – Estabelece no quarteirão em volta de sua produtora, no Brooklyn, ações afirmativas que envolvem festas públicas em homenagem a Prince e Michael Jackson. Torna-se um agente social em sua comunidade. Já abrindo mão de dirigir roteiros escritos apenas por ele, realiza “Infiltrado na Klan” e ganha seu primeiro Oscar, e consequentemente, a consagração mundial Voltando às questões feministas, realiza “Chiraq”, lenda milenar egípcia transportada para o século 21. Na Netflix, lança “Destacamento Blood”, filme já indicado ao próximo Oscar. O filme é acusado de racista com vietnamitas. Spike Lee mostra que a procura por fazer a coisa certa não têm fim nem há chance para descansos.   

 

 

Aluno

Para: aberto a todos os interessados

Carga horária total: 4 encontros – 10 horas

Todos os filmes citados serão analisados e cada aluno receberá, a cada aula, material extra  referente à ela.

*Este curso é oferecido na modalidade ONLINE, portanto é necessário ter acesso à internet. As aulas irão acontecer ao vivo no aplicativo ZOOM. Indicamos que o participante tenha um computador ou celular com câmera e microfone.

 

sobre o professor

Professor

  • Dodô Azevedo
    Dodô Azevedo é Mestre em Letras pela PUC-Rio, professor de Filosofia, roteirista e diretor de cinema, autor de 5 romances, incluindo “Fé a Estrada” (Editora Leya), em que conta sua experiência refazendo a rota de On the Road, de Jack Kerouac. O livro foi considerado um dos 20 mais importantes romances em língua portuguesa do século XXI em votação da Revista Bula. Foi colunista de cultura do Jornal do Brasil, O Globo, portal G1 e atualmente escreve semanalmente na Folha de S. Paulo.