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Roteirista de “Anos Incríveis” fala sobre comédia na TV

  • 22 de outubro de 2013

O roteirista e consultor de roteiro John Vorhaus, autor do livro de humor o “THE COMIC TOOLBOX: How to be Funny Even if You’re Not”, considerado uma “bíblia do texto de humor” e fonte de referência para roteiristas do mundo todo, vem a São Paulo para  ministrar os cursos As Ferramentas do Humor, Escrevendo Comédia e o Sitcom Lab (esgotado) no Centro Cultural b_arco, no próximo mês. Durante entrevista concedida ao b_arco, realizada por Newton Cannito, ele comenta que uma das ferramentas básicas da comédia é o “choque de contexto”, que coloca um elemento num ambiente onde não encaixa. Como no caso do narrador do “Anos Incríveis”, que  “não encaixa” porque ele não é a criança Kevin, mas sim o adulto Kevin se lembrando do passado.

Leia abaixo a entrevista na íntegra.

John Vorhaus 3
 

Entrevista:

1-   Newton Cannito: No seu livro, você trabalha o humor construído através da verdade e da dor. Toda comédia surge a partir da tragédia?

John Vorhaus: Não surge da tragédia exatamente, mas sim do entendimento de que todos nós compartilhamos as mesmas experiências e sofremos pelas mesmas dificuldades.  Na morte só tem “tragédia”, por exemplo, se você perceber dessa forma; porém, a morte é uma área fértil para humor porque o conhecimento da morte é uma experiência comum para todos. O jeito mais fácil de entender tudo isso se encontra na expressão: “a comédia = o drama + o exagero”.

2- Newron Cannito: Você já usou elementos autobiográficos na criação de comédias? Como foi?

John Vorhaus: Eu aproveito elementos autobiográficos o tempo inteiro. Não consigo imaginar um criador de comédia que não faça isso.  No momento, estou escrevendo um romance cômico sobre as experiências de jovem na faculdade, praticamente baseado, é claro, na minha própria experiência.

3- Newton Cannito: Em Anos Incríveis, a série trabalhava com uma narração. Qual pode ser o papel da narração em uma série de comédia?

John Vorhaus: Uma das ferramentas básicas da comédia se denomina “o choque de contexto,” que coloca um elemento num ambiente onde não encaixa.  O narrador do The Wonder Years “não encaixa” porque ele não é a criança Kevin, mas sim o adulto Kevin lembrando do passado. Assim, os comentários do narrador nos chegam “fora do contexto” e chocam, ou contradizem o contexto que estão observando. Pelo fato do narrador representar Kevin no futuro, também pode aportar a sabedoria que o jovem Kevin não tem. Então, oferecendo risos e sabedoria são dois dos papeis do narrador nesta série cômica.

4-   Newton Cannito: “Um Amor de Família” foi uma das séries precursoras que trabalhou com uma família cheia de arquétipos de fracassados. A que você atribui o grande sucesso da serie e sua longevidade?

John Vorhaus: Duas coisas. Primeiro, tive sorte. “Um Amor de Família” foi transmitido pela emissora Fox durante a primeira temporada da emissora, quando as expectativas estavam baixas e os programas podiam correr todo tipo de risco.  “Os Simpsons” nasceu naquela época também. Em consequência, “Um Amor de Família” tinha muito tempo para localizar seu público e achou um público que por coincidência estava procurando algo diferente dos sitcoms do tipo meigo e saudável, como Cosby Show e Family Ties, que recebiam das outras emissoras.  Segundo, acontece que a Família Bundy fica muito simpática com o povo comum e não somente nos EUA, mas também no mundo inteiro.  Não posso lhe dizer quantos lugares que fui, sobretudo na Europa Oriental, onde as pessoas me dizem, “Aquele Al Bundy, ele é exatamente como nós!”.  Também ajuda que o recado de “Um Amor de Família” é universal: Sim, a tua família é uma merda, mas mesmo assim, eles te amam. Isso é a verdade e a dor da maioria das famílias e por isso o programa deu certo – e ainda continua dando certo.

5- Newton Cannito: Existe limite para a comédia? Há temas que não devem ser abordados?

John Vorhaus: “A comédia começa onde termina a tolerância”.  Se você pode achar o ponto onde o seu tema provoca ansiedade na plateia, essa ansiedade do público vai provocar o riso. Porém, se você vai longe demais, o público não vai se sentir seguro e não vai rir.  Para mim, não existe um tema tão tabu que não deva ser abordado pela comédia; porém, existem alguns temas tão “crus” ou inaceitáveis, que a comédia não consegue abordar com sucesso. Mas filosoficamente, eu teria que dizer que vale tudo.  A comédia pode estar num limiar “seguro”, mas isso não é obrigatório.

Mais uma coisa: para contar certo tipo de piada, você realmente tem que ser o “dono” do tema.  Um negro contando piadas sobre negros tem muito mais liberdade de tabu do que um branco contando a mesma piada.

6-  Newton Cannito: Como tratar de temas polêmicos com humor? Qual o tema mais polêmico que você já abordou?

John Vorhaus: “O problema de ir longe demais é que você nunca percebe que vai longe demais até chegar.” Temas polêmicos dão certo enquanto a plateia se senti segura para rir.  Se não se sente segura, eu simplesmente mudo alguns elementos – normalmente exagero o absurdo da situação – para que a plateia se sinta confortável. Uma vez tinha um personagem tipo “flasher”, alguém que se exibe sexualmente às vizinhas jovens.  Eu deixava este tema tabu seguro da seguinte forma: A) Obviamente, nunca mostrei o sujeito; B) Fazia com que as meninas sempre falassem algo que menosprezasse o pênis do personagem. Isso mostrava que elas não tinham medo dele, e assim, fazia com que a plateia também se sentisse segura.

7- Newton Cannito: Quais são as comédias e autores de leituras indispensáveis em literatura e teatro?

John Vorhaus: Fui profundamente influenciado por Tom Robbins e sua obra clássica “Even Cowgirls Get the Blues” (Até as vaqueiras sentem os ‘blues’).  Também acho que os romancistas cômicos britânicos como Richard Stark, Douglas Adams e Nick Hornby merecem uma atenção cuidadosa.  É claro, as comédias de Shakespeare e Molière são imprescindíveis. Também um pouco de Noel Coward não faz mal.

8- Newton Cannito: Quais são as séries cômicas mais inovadoras da história da televisão?

John Vorhaus: A versão britânica de The Office foi realmente pioneira em dois sentidos:  Primeiro, trouxe a ideia do documentário do ponto de vista de uma “mosca na parede” ao sitcom; Segundo, nos deu o David Brent, o personagem mais impossível e que mais provoca arrepio de todos os tempos e, nos obrigou a amá-lo.

Seinfeld foi inovadora em termos de estrutura.  Antes de Seinfeld, a maioria dos sitcoms tinham no máximo seis ou sete cenas, cada uma com duração de vários minutos. Seinfeld demonstrou que era possível montar uma cena pelo propósito de uma piada só, e mostrou como “entrar e sair rápido”.  Isso exerceu muita influência nos sitcoms posteriores, no sentido do ritmo da ação e a estrutura da cena.

O sitcom Ellen, de Ellen Degeneres, é muitas vezes desconsiderado, em termos da influência que teve; porém, deu ao público americano de sitcoms o primeiro protagonista homossexual, e abriu o caminho para Will and Grace, Modern Family, e muitos outros programas com personagens gays vivendo papeis importantes.  Em termos da sociedade, pelo menos nos EUA, foi um programa que mudou as regras e não foi reconhecido como tal.

9–Newton Cannito: Quais séries você gosta atualmente?

John Vorhaus : Desde o primeiro episódio venho adorando The Big Bang Theory, e ainda assisto religiosamente. Uns acham que perdeu o carater nerd e já virou muito mais um programa sobre namoros e relações das pessoas, mas eu vejo isso simplesmente como o crescimento natural dos personagens e do programa.

Gosto também de New Girl por causa da Zoey Deschanel, que amo. Nos últimos anos, gostei de House of Lies [Casa de Mentiras] e Episodes . O meu favorito de todos os tempos é o sitcom britânico, Coupling. O meu favorito tesouro desconsiderado é um sitcom pouco conhecido intitulado My Boys [Os meus garotos] sobre uma mulher jornalista de esportes em Chicago e os homens com quem ela joga pôquer.

10- Newton Cannito: Fale sobre o conceito da premissa cômica citada em seu livro.

John Vorhaus: A premissa cômica é uma brecha “comic premise” entre a realidade real e a realidade cômica. É útil pensar em termos de adesão a uma “regra diferente”. Por exemplo, no esquete clássico de Monty Python sobre a loja de queijo, a premissa cômica é o fato de que “não tem queijo na loja”. Numa verdadeira loja de queijo, com certeza teria queijo.  Num mundo governado por esta premissa cômica, não tem queijo.  A comédia surge do conflito entre o dono da loja de queijo, governado pela premissa cômica, e o freguês, governado pela realidade normal.

11- Newton Cannito: Quais os elementos para se fazer uma boa esquete?

John Vorhaus: Bons personagens fortes, com diferentes pontos de vista e com conflitos muito claros.  Um bom esquete é uma boa briga. Também sempre deve ter uma virada ou surpresa no final do esquete que de alguma maneira muda o sentido ou o nosso entendimento de tudo que já passou. O meu livro, “The Comic Toolbox” apresenta uma clara sequência de passo a passo para escrever comédia de esquete.

12-Newton Cannito: Na comédia, além da escrita, a forma como o ator incorpora o texto é essencial para a graça. Como o roteirista pode trabalhar isso?

John Vorhaus: Os escritores e os atores são colaboradores, e devem se tratar de tal forma. Isso quer dizer que o ator precisa ter respeito pelas palavras e a intenção do escritor – tem que achar a piada que o escritor está pensando.  Ao mesmo tempo, os escritores devem respeitar o fato de que os atores de comédia vão achar uma “magia” que o próprio autor nunca imaginou.  Se o autor protege demais as próprias palavras, não consegue dar ao ator a liberdade que precisa para encontrar esse toque de magia, o “tesouro escondido” na obra. Em todo o caso, um grande processo criativo é possível se nós simplesmente escolhermos “servir à obra e não ao ego”.

Ao final da entrevista, John Vorhaus acrescentou: Gostaria que tivesse me perguntado: “qual é o lema da sua vida?” Teria respondido, “Vá passear pela praia, recolha tudo que achar, e disso faça um chapéu de festa”.

(Newton Cannito é autor-roteirista de cinema e televisão, atualmente contratado pela
TV Globo e professor do curso de Roteiro para Audiovisual no b_arco.)

Confira cursos que John Vorhause irá ministrar no b_aro:

As Ferramentas do Humor: como ser engraçado mesmo que você não seja – Início 02 de novembro

Escrevendo Comédia – Início 04 de novembro

SITCOM LAB – (Esgotado)

 

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 Segunda a sexta, das 10h às 19h.

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