A Representação das Sobras – Arte e Política no Brasil do Século XXI

com
Moacir dos Anjos
> Reflexões sobre a crise da representação no âmbito das artes visuais e mapeamento de suas implicações em termos simultaneamente artísticos e políticos.

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28 de setembro a 1 de outubro de 2020

segunda a quinta, das 19h às 21h30

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Detalhes Preço Qtd
Desconto à vistaMais Detalhes  R$280,00 (BRL)  
Parcelado - 2xMais Detalhes  R$150,00 (BRL)  

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O curso parte do pressuposto de que se vive uma crise de representação. Crise que é não é somente política no sentido do crescente distanciamento que há entre os gestos e as falas encontrados na vida comum e os gestos e as falas achados no parlamento ou nos gabinetes de governantes. Crise que expressa o reconhecimento, cada mais difundido, de que as maneiras com que usualmente se traduz o mundo em termos de imagens, sons, formas ou escritos não são mais capazes de compreendê-lo para que nele se possa atuar.

Diante dessa constatação, o curso terá como primeiro objetivo caracterizar essa crise de representação no âmbito das artes visuais e mapear suas implicações em termos simultaneamente artísticos e políticos. Em particular, será destacada a natureza inerentemente conflituosa das práticas de representação, as quais incluem somente algumas coisas e gentes como equivalências sensíveis de uma dada realidade, deixando outras tantas de fora.

Em seguida, o curso irá se deter na discussão de variadas respostas que artistas brasileiros contemporâneos têm dado à essa crise. Respostas que buscam, de modos diversos, explicitar a invisibilidade de certas questões e sujeitos nas representações hegemônicas do país (na arte e no âmbito mais amplo da política), refazendo-as de modo mais inclusivo. É nesse sentido que se pode falar da emergência de uma representação das sobras: uma representação daqueles que não eram antes contados nas formas dominantes de representar o país.

Entre os sujeitos não ou pouco representados na arte e na política do Brasil que esses artistas buscam expor em seus trabalhos incluem-se as populações indígenas, os encarcerados, os loucos, a população LGBTQI+, os negros, os imigrantes, os pobres. Sem constituírem um conjunto coerente de práticas, são trabalhos engajados com a ampliação do universo de coisas e gentes tomados e contados como representantes do mundo onde vivem, sem que com isso se reduzam a apenas reproduzir demandas políticas prévias. São trabalhos que, ao contrário, terminam por constituir, na sua diversidade, um léxico novo para a arte contemporânea brasileira.

 

 

Cronograma

Aula 1 – Crise de representação e representação das sobras

Aula 2 – Raça, classe e distribuição dos corpos

Aula 3 – Necrobrasiliana e a reinvenção da memória

Aula 4 – Desastres minerais e uma educação pela pedra

 

 

 

Aluno

Público-alvo – aberto a todos os interessados

Carga horária total – 4 encontros – 10 horas

*Este curso é oferecido na modalidade ONLINE, portanto é necessário ter acesso à internet. As aulas irão acontecer ao vivo no aplicativo ZOOM. Indicamos que o participante tenha um computador ou celular com câmera e microfone.

sobre o professor

Professor

  • Moacir dos Anjos
    Moacir dos Anjos (Recife, 1963) é pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, no Recife, onde coordena o projeto de exposições Política da Arte. Foi diretor do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (2001-2006), Recife, e pesquisador visitante no centro de pesquisa Transnational Art, Identity and Nation, University of the Arts London (2008-2009). Foi curador do pavilhão brasileiro (Artur Barrio) na 54ª Bienal de Veneza (2011) e curador da 29ª Bienal de São Paulo (2010). Foi curador das mostras Cães sem Plumas (2014), no MAMAM, A Queda do Céu (2015), no Paço das Artes, São Paulo, Emergência (2017), no Galpão Bela Maré, Rio de Janeiro, Quem não luta tá morto. Arte democracia utopia (2018), no Museu de Arte do Rio, Raça, classe e distribuição de corpos (2018) e Educação pela pedra (2019), as duas últimas na Fundação Joaquim Nabuco, além de várias outras. É autor dos livros Local/Global. Arte em Trânsito (2005), ArteBra Crítica (2010) e Contraditório. Arte, Globalização e Pertencimento (2017), além de editor de Pertença, Caderno_SESC_Videobrasil 8, São Paulo (2012).