Bruxas e Feiticeiras na História da Arte – Que Las Hay, Las Hay

com
Juliana Guide
> Um trajeto pela representação visual de bruxas e feiticeiras, do início da Idade Moderna europeia aos arranjos da contemporaneidade

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8 a 10 de dezembro de 2020

terça a quinta, das 19h às 21h30

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Detalhes Preço Qtd
Desconto à vistaMais Detalhes  R$280,00 (BRL)  
Parcelado - 2xMais Detalhes  R$150,00 (BRL)  

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No dicionário Caldas Aulete, bruxa  é toda “mulher que, supostamente, tem poderes mágicos, faz bruxarias e sortilégios e outras artes sobrenaturais; feiticeira”. As mais variadas sociedades e períodos históricos nos legaram suas bruxas. Misteriosas, controversas, sensuais, sábias ou perigosas, há tempos elas despertam fascínio, medo, admiração e hostilidade. Nesse percurso,  foram revisitadas e revalorizadas pelos pensamentos feministas e ressignificadas pelas inúmeras vertentes do neopaganismo. Tornaram-se  figuras fundamentais da cultura pop, objeto de estudo de inúmeros campos das Humanidades e fonte caudalosa  de reflexão para a arte contemporânea e para o pensamento decolonial.

Nosso tempo não deixa margem para dúvidas: as bruxas estão soltas e em todos os lugares. Ao longo de  três encontros, o curso apresentará um trajeto panorâmico pela sua representação visual, partindo do início da Idade Moderna nas artes plásticas  europeias e finalizando nos arranjos polifônicos da contemporaneidade.

As duas primeiras décadas do século XXI foram marcadas por uma multiplicidade de obras que trouxeram a figura da bruxa para a frente da ribalta. Narrativas consagradas como O Magico de Oz e A Bela Adormecida foram reorganizadas a partir da ótica das bruxas  em estrondosos sucessos de público  – o musical Wicked, de 2003 e os filmes sobre Malévola (2015 e 2019).  Alinhado com esta inversão, também o influente universo ficcional estabelecido pela franquia Harry Potter mostra o mundo numa perspectiva bruxa.

Ainda no campo do audiovisual, a numerosa produção vai dos recentes Love Witch (2016), A Bruxa (2016) e Suspiria (1977/2018) a uma profusão de títulos que inunda com diligência as plataformas de streaming (são exemplos Sabrina, Luna Nera, Cursed, etc).

Do lado de cá das telas, no entanto, é de  2017 a criação do WHRIN, observatório da ONU dedicado ao combate das perseguições de crianças e mulheres sob a acusação de bruxaria, que ainda ocorrem em diversas parte do mundo. Não à toa, as reverberações das seminais obras Calibã e a bruxa (2004) e Mulheres e a caça às bruxas (2019), de Silvia Federici, estão em curso inclusive neste momento na produção artística e intelectual contemporânea.

Como última evidência desta efervescência, é importante mencionar três exposições importantes – Witches & wicked bodies (2014), na Escócia, Second Sight (2019) na Australia, e Spellbound (2018/19), no Reino Unido – dedicadas às relações intelectuais e criativas entre as bruxas dos acervos museais e as tantas releituras do nosso presente. Olhar com cuidado para a história dessa representação, é, portanto, estar atento à formulação de imagens que nos circundam e informam profundamente nossa experiência ainda hoje.

 

Cronograma

Aula 1 – A representação das bruxas durante o período da grande perseguição: pintura e gravura dos séculos XV a XVII

A formulação do imaginário a partir de obras de Dürer, Hans Baldung, Salvatore Rosa, Agostino Veneziano e Frans Francken. A relação entre a representação das bruxas europeias e as mulheres tupinambás nas gravuras de Theodoro de Bry. Bruxas e feiticeiras no Brasil colônia.

Aula 2 –  Entre a razão iluminista e a sensibilidade romântica

A pintura do  final do século XVIII e do século XIX  e suas versões de feiticeiras solitárias, sabás, bruxas de Macbeth, Circes e Medeias a partir da  obra de Goya, Blake, Fusseli e dos pré-rafaelitas. A perseguição policial à “feitiçaria”e às práticas não-médicas de cura no Brasil.

Aula 3 –  Novos olhares para antigos saberes:  arte moderna e contemporânea

Magia e alquimia em Max Ernst,  Gertrude Abercrombie, Remédios Varo e Leonora Carrington. A contemporaneidade: elaboração e poder em  Kiki Smith,  Jesse Jones, Mikala Dwyer , Georgia Horgan e Castiel Vitorino Brasileiro.

 

Aluno

Público-alvo: Para todos os interessados em arte, pintura, história e nos debates relacionados à representação das mulheres na história da arte.

Carga horária total – 3 encontros – 7h30m

*Este curso é oferecido na modalidade ONLINE, portanto é necessário ter acesso à internet. As aulas irão acontecer ao vivo no aplicativo ZOOM. Indicamos que o participante tenha um computador ou celular com câmera e microfone.

 

sobre o professor

Professor

  • Juliana Guide
    Juliana Ferrari Guide é mestra em Estudos da Tradição Clássica, na linha de pesquisa em História da Arte pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com estágio de pesquisa na Itália. Seus estudos se concentram na iconografia de heroínas da Antiguidade, em pintura italiana do século 17 e em artistas mulheres que atuaram na Itália nesse período, com eventuais incursões pela tragédia clássica francesa e pela história dos debates a respeito do suicídio. É professora do MASP Escola, onde coordena o curso Histórias da Arte: De Giotto a Tintoretto.