Descolonização do Olhar – Imperativo Político e Estético do Nosso Tempo

com
Rosane Borges
> Reflexões para reposicionar o debate sobre o papel das visualidades na manutenção das assimetrias e na possibilidade de sua superação.

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21 a 24 de setembro de 2020

segunda a quinta, das 19h às 21h30

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Em tempos fortemente marcados por novas ordens de representação, por outros regimes de visibilidade, é preciso que o olhar seja interrogado a partir de sua dimensão política.  Tema constante no domínio  da filosofia da percepção, o exercício do ver e do olhar, mais do que uma operação física sensorial, torna-se um modo de organização da cena do mundo por meio de prismas socioculturais. Se, como disse Merleau-Ponty,  o olhar é o nosso reitor, qual seria o lugar do dispositivo ótico na contemporaneidade, visto que ele é menos um franqueador de imagens, do que um agente que atua na faculdade de estabelecer relações?

Sabe-se que a função do olhar sofre uma mudança significativa na sociedade moderna. Para os povos antigos, o olhar tinha relação com o conhecimento e o desejo. A desconcertante História do olho, de Georges Baaille, nos leva a perceber, por meio de uma composição metafórica que o olho passa por variações, adotando certo número de objetos substitutivo, conservando sempre seu aspecto voraz.

Voracidade que se pode perceber na “dimensão maquínica” (fotografia, cinematógrafo, televisão/vídeo e imagem da informática) que produz e articula os discursos da atualidade. As invenções tecnológicas modernas impactaram diretamente na construção do visível, modificaram a cultura e os sujeitos, constituíram um universo visual congestionado. O apelo à transparência e à visibilidade, a tirania da vigilância eletrônica (câmeras, imagens a partir de satélites, internet e redes virtuais), reposicionaram várias questões alusivas à função do olhar nos nossos tempos, tão marcados pela ubiquidade das telas.

A voracidade do olhar racista, sexista, patriarcal, homofóbico, transfóbico é exercida devorando corpos e culturas sem que haja uma redistribuição imaginária e real dos lugares dos sujeitos que têm o poder (os que olham e que consomem) e dos que não têm (os que são vistos e são mercadorias de olhares). O lugar do ex-ótico foi construído com base nessa assimetria, seja no campo das artes, da ciência e da cultura audiovisual. Uma exploração em torno da trajetória do olhar nestes três campos mostra-se, portanto, como um exercício reflexivo inescapável para reposicionarmos o debate sobre o papel das visualidades na manutenção das assimetrias e na possibilidade de sua superação.

 

 

Cronograma

Aula 1 – Ver e olhar para os antigos: saber e desejo ou “quando se inflama o que não cessará de queimar”

 

Aula 2 – Episteme da representação no classicismo: a construção do ex-ótico e as camadas que não se vê, validadas pela arte e pela ciência

 

Aula 3 – As transformações dos modos de ver na ascensão da sociedade telânica: vestígios dos olhares colonizadores na cultura audiovisual

 

Aula 4 – Somos seres olhados no espetáculo do mundo: a descolonização do olhar na arte, na ciência e na cultura audiovisual

 

 

Aluno

Público-alvo: aberto a todes interessades

Carga horária total – 4 encontros – 10 horas

*Este curso é oferecido na modalidade ONLINE, portanto é necessário ter acesso à internet. As aulas irão acontecer ao vivo no aplicativo ZOOM. Indicamos que o participante tenha um computador ou celular com câmera e microfone.

 

sobre o professor

Professor

  • Rosane Borges
    Rosane Borges é jornalista, doutora em Ciências da Comunicação, professora colaboradora do Colabor (ECA-USP), pesquisadora na área de comunicação, imaginários, política contemporânea, relações raciais e de gênero, conselheira de honra do Coletivo Reinventando a Educação, integrante do grupo Estética e vanguarda do CTR (ECA-USP), articulista da revista Carta Capital, do blog da Editora Boitempo. Autora de diversos livros, entre eles: Espelho infiel: o negro no jornalismo brasileiro (2004), Mídia e racismo (2012), Esboços de um tempo presente (2016).