Vênus na História da Arte – Poder, Beleza e Erotismo

com
Juliana Guide
> Um percurso histórico, da antiguidade ao contemporâneo, nas maneiras de caracterizar a deusa.

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16 a 19 de março de 2021

terça a sexta, das 19h às 21h30

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Desconto à vistaMais Detalhes  R$280,00 (BRL)  
Parcelado - 2xMais Detalhes  R$150,00 (BRL)  

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A deusa Afrodite, para os gregos, ou Vênus, para os romanos, desfrutava de enorme popularidade no mundo antigo, ainda que mais versátil e mais cruel do que costumamos imaginar hoje. Uma das mais conhecidas e adoradas integrantes do panteão clássico, sua existência transcendeu o mundo que nela acreditava de forma religiosa e povoou, de lá pra cá, o imaginário ocidental.  Sua associação ao amor e à beleza fez com que suas inúmeras versões estivessem associadas também a intensos debates filosóficos e estéticos. Seja tentando cobrir sua nudez, reclinada, nascendo das águas, lânguida com seu amante, em grandes festas ou como representação da representação, a imagem da Vênus atravessa os séculos e se transforma conforme as preocupações das sociedades que a representam se modificam. No curso, através de uma seleção pescada no oceano de imagens da deusa, faremos um percurso histórico  de maneira a entender as escolhas de cada época ao caracterizá-la. Partindo do mundo antigo, o ponto de chegada são as reformulações dos  artistas contemporâneas nos temas que a tradição associou à Vênus, sob a égide das contribuições dos feminismos, do pensamento decolonial e dos debates dos estudos de gênero.  

Tudo que a Vênus representou ao longo do tempo –  por exemplo, o poder do corpo feminino belo, o amor, o erotismo e mesmo a importância da beleza da obra de arte – foi discutido e revisto pelos atribulados séculos XX e XXI e seus profundos questionamentos. A função da obra de arte (e seu compromisso com um ideal de beleza) é um eixo central das discussões que marcam o desenvolvimento da arte moderna e contemporânea.  No último século, os feminismos formularam e defenderam enormes modificações em relação à vivência e a percepção da sexualidade e do corpo das mulheres. As teorias queer tem interpelado de forma radical as categorias tradicionais de entendimento sobre o gênero e a experiência sexual humana. O pensamento decolonial tem explicitado o custo e os impactos de padrões de beleza e afetividade construídos a partir de uma perspectiva eurocêntrica e colonizadora. Apesar disso, o que se observa na prática  hoje,  com o cotidiano  tomado pelos registros incessantes de nossa imagem,  ao mesmo tempo que bombardeado  massivamente pela imagem de corpos e rostos editados,  é que as pressões sociais pela beleza pré-formatada e pela juventude foram elevadas a um novo patamar.  Também o campo das relações afetivas permanece marcado pela violência. Falando em Brasil, tudo se acentua: estamos no país que mais realiza cirurgias plásticas e procedimentos estéticos no mundo, e também num dos campeões de feminicídio, frequentemente cometido por parceiros que não aceitam o fim de suas relações. Esse cenário torna ainda mais importante que nos debrucemos sobre as reflexões que as obras de arte podem oferecer a respeito da constituição das normas que informam a autoestima e a vida sexual e afetiva das mulheres. 

 

Cronograma

 Aula 1 –  Afrodite e Vênus na Arte Antiga
Afrodite e o mundo grego antigo. Praxíteles e a Afrodite Cnídea.  Vênus, o mundo romano e suas qualidades adicionais: guerra, vitória e ancestral de imperadores. 

 

Aula 2 –  Vênus e a Idade Moderna: Renascimento e Barroco
A  Vênus na pintura italiana de Florença e de Veneza, a partir principalmente de Botticelli e Tiziano. A Vênus Barroca na obra de Rubens e Velásquez.  Representações da Venus na obra de artistas mulheres dos séculos XVI e XVII, como Artemisia Gentileschi, Lavinia Fontana e Elisabetta Sirani.

 

Aula 3  – Séculos XVIII e XIX
Vênus no Antigo Regime: Watteau, Fragonard e Boucher. A Vênus, a Academia de Belas Artes francesa e seus críticos. A Vênus Africana de Cordier.

 

Aula 4 – Vênus e seus debates na Arte Moderna e Contemporânea
Para fechar o curso, uma reflexão sobre  o substrato legado pelos outros séculos à luz da produção de artistas modernos, como Pablo Picasso e Salvador Dali, e artistas contemporâneas, como Michelangelo Pistoletto, Nan Gouldin, Cindy Sherman, Eleanor Antin,  Tracey Rose e Heather Cassils.

 

 

Aluno

Público-alvo:  Para todos os interessados em arte, pintura, história e nos debates relacionados à representação das mulheres na história da arte.

Carga horária total – 4 encontros – 10 horas

*Este curso é oferecido na modalidade ONLINE, portanto é necessário ter acesso à internet. As aulas irão acontecer ao vivo no aplicativo ZOOM. Indicamos que o participante tenha um computador ou celular com câmera e microfone.

*Não conseguiu assistir a algum dos encontros ao vivo? Basta solicitar a gravação da aula para nossa equipe de atendimento no email atendimento@barco.art.br ou no whatsapp (11) 98987-8011. As gravações são enviadas em links pessoais e intransferíveis, ficando disponíveis por 7 dias corridos após a realização da aula ao vivo.

 

 

 

sobre o professor

Professor

  • Juliana Guide
    Juliana Ferrari Guide é mestra em Estudos da Tradição Clássica, na linha de pesquisa em História da Arte pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com estágio de pesquisa na Itália. Seus estudos se concentram na iconografia de heroínas da Antiguidade, em pintura italiana do século 17 e em artistas mulheres que atuaram na Itália nesse período, com eventuais incursões pela tragédia clássica francesa e pela história dos debates a respeito do suicídio. É professora do MASP Escola, onde coordena o curso Histórias da Arte: De Giotto a Tintoretto.