“Assim como muitos dos objetos simbólicos que nos rodeiam, as cores são naturalizadas na experiência cotidiana, nas disciplinas de psicologia da cor e nos ensinamentos correntes de uso das cores nos espaços interiores, no vestuário, no design gráfico e de objetos. Esta naturalização leva a compreensões equivocadas que atribuem às cores propriedades ontológicas e a-históricas.

Assim, o preto, visto como cor indumentária da elegância, ganha nesses discursos uma ‘razão própria’. No entanto, o preto, como cor de distinção social e de sobriedade, é uma construção social que remete ao Renascimento e foi, sobretudo, uma cor exclusivamente masculina até finais do século XIX, quando as mulheres se apropriaram dela, que daria, já no século XX o ‘pretinho básico Chanel’.

O vermelho, por sua vez, tem aproximações com noções de poder muito mais antigas. Em suma, todas as cores têm significados que foram sendo construídos ao longo de séculos, naquilo que historiadores chamam de ‘longa duração’.

As cores nunca têm um só significado, daí porque sua associação automática com certos ‘estados d’alma’ deve ser vista com cautela, assim como seu emprego automático em ambientes e produtos.

O objetivo do curso “História Cultural das Cores” é de desnaturalizar a compreensão que se tem das cores, tais como “o azul é repousante”, “o vermelho é excitante” etc. E também mostrar a ambiguidade que existe no emprego das cores que podem apontar, simultaneamente, para perspectivas antagônicas.

Para isso, é importante compreender não só a materialidade das cores – os pigmentos mais importantes usados para produzi-las – mas, sobretudo, os hábitos e práticas que determinaram sua simbologia. Serão discutidas as seis cores consagradas como principais no vocabulário cromático mundial: o preto, o branco, o vermelho, o azul, o verde e o amarelo, que irá propor uma primeira abordagem das cores do ponto de vista da história cultural”.

Ethel Leon é doutora pela Faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo. Foi editora da revista eletrônica de design Agitprop (2008-2015). É autora dos livros Design Brasileiro Quem Fez Quem Faz (SENAC RJ, 2005); do livro João Baptista da Costa Aguiar, Desenho Gráfico (SENAC SP, 2008); Memórias do Design Brasileiro, (SENAC SP, 2009); IAC, Primeira Escola de Design do Brasil (Blucher, 2014), Canasvieiras, Um Laboratório Para o Design Brasileiro (UDESC/FAPESC, 2015), organizadora e coautora do livro Michel Arnoult, Design e Utopia (Sesc, contemplado com o Projeto Rumos Itaú Cultural, 2016) e coautora do livro Marcenaria Baraúna (Olhares, 2017). Sua tese de doutorado e os livros IAC, Michel Arnoult e Marcenaria Baraúna foram premiados no Prêmio Museu da Casa Brasileira.

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História Cultural das Cores
18 de janeiro a 1 de fevereiro de 2020
Sábados, das 11h às 13h

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Rua Dr Virgilio de Carvalho Pinto, 426 – Pinheiros, São Paulo
Próximo da estação Fradique Coutinho do Metrô
Estacionamento ao lado

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