Dramaturgia Documental – Roteiros da Não-Ficção

com
Joel Pizzini
> Uma visão ampla das experiências de ponta no cinema contemporâneo, com ênfase em nosso país, no sentido de fomentar a produção de filmes que recriem, transcriem e não apenas reproduzam a realidade.

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30 de novembro a 3 de dezembro de 2020

segunda a quinta, das 19h às 21h30

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Detalhes Preço Qtd
Desconto à vistaMais Detalhes  R$280,00 (BRL)  
Parcelado - 2xMais Detalhes  R$150,00 (BRL)  

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O curso pretende expor e refletir sobre o advento da dramaturgia documental, como estratégia de linguagem significante na expressão audiovisual contemporânea.

A adoção da “mise-en-scène” e da estrutura polifônica como recursos narrativos indica a ruptura dos limites do documentário convencional, apontando novas perspectivas de inovação estética do “gênero” através de experiências essencialmente subjetivas.  A chamada dramaturgia tradicionalmente ligada a ficção, ganha novos contornos na abordagem densa, que passa a reconhecer a importância do personagem e não apenas do entrevistado, como modo de representação do “real”.  A supervalorização do conteúdo em detrimento da forma, é cada vez mais relativizada, enquanto outras possibilidades narrativas entram em cena.   A incorporação da dramaturgia no discurso documental exige, contudo a opção por um coeso viés conceitual, que embase a investigação da realidade e proporcione uma imersão estético-reflexiva ao espectador. 

Durante o curso serão tratadas todas as etapas de pesquisa histórica, de linguagem, concepção estética, filmagem e finalização da  produção de caráter “ não-ficcional”,  que parte de alternativas inventivas em todo o processo de realização de um filme.

Além de filmes  de filmes de autores referencias como Agnès Varda, Johan Van der Keuken, Glauber, Chris Marker,  Godard, entre outros, serão examinados os principais textos e manifestos que identificam os conceitos e as premissas teóricas dos autores que marcaram época como “Os 14 Dogmas do Documentário” do diretor Alberto Cavalcanti que preconizou as sinfonias urbanas e revolucionou o uso do som no documentário britânico.  As  “Notas do  Cinematógrafo” de Robert Bresson serão matéria essencial para subsidiar as aulas. 

 

 

Cronograma

Aula 01: 

  • Métodos de abordagem: o tema x forma
  • A contaminação do real: a concepção estética.
  • A investigação histórica e iconográfica.  A decupagem “in-progress”
  • Do Argumento ao pré-roteiro.   O percurso processual.
  • Da entrevista ao Personagem: a reinvenção da nomenclatura.

 

Aula 02: 

  • A pesquisa de linguagem: Luz e enquadramento: a cena de origem. 
  • O espaço como labirinto. As figuras, não-atores e atores sociais.
  • A reciclagem histórica: o uso do material de arquivo como valor pictórico e dramático.
  • O sujeito da poesia, a poética das coisas e a voz no documentário.  O ensaio etnopoético.
  • A paisagem sonora e a oralidade musical. A melodia das palavras.

 

Aula 03: 

  • A montagem: ressignificação do “real” e a matéria onírica.
  • A relação ética/estética e o pacto com o “ Outro”. 
  • A relação particular / universal: A narração polifônica
  • O filme-ensaio:  os enunciados de Alberto Cavalcanti.
  • O autorretrato: narrativas sensoriais.

 

Aula 04: 

  • O “zigue-zague mental” – a estética de Agnes Varda,
  • O “transe” como investigação do “Real”   
  • O diálogo com as artes: documentário interdisciplinar,
  • A alegoria como estratégia de representação: os atores sociais.

 

 

Aluno

Carga horária total – 4 encontros – 10 horas

Para: Dirigido a realizadores, estudantes de artes, comunicação, história e interessados em experimentar as potencialidades do audiovisual como expressão artístico-cultural.

*Este curso é oferecido na modalidade ONLINE, portanto é necessário ter acesso à internet. As aulas irão acontecer ao vivo no aplicativo ZOOM. Indicamos que o participante tenha um computador ou celular com câmera e microfone.

 

Filmografia básica: 

  • “Iracema, Uma Transa-Amazônica” de Jorge Bodansky e Orlando Senna 
  • “Mato Eles ?” de Sérgio Bianchi 
  • “Di” de Glauber Rocha 
  • “Couro de Gato” e “Poeta do Castelo” de Joaquim Pedro de Andrade
  • “As Praias de Agnes” e “Ulysse” de Agnés Varda 
  • “Sun Light” de Gustavo Galuppo – “JLG por JLG” de Jean-Luc Godard  
  • “Home Stories” de Mathias Muller
  • “Nós” de Artazaud Pelechian 
  • “Insfree” de José Maria Guerin 
  • “Big Ben” de Van der Keuken 
  • – “I Clown” de Federico Fellini 
  • “Nanook” e “Homem de Aran” de Robert Flaherty 
  • “ O Homem com a Câmera” de Dziga Vertov 
  • -“Berlim, Sinfonia de uma Cidade” de Walter Ruttman 
  • -“Ritmos de uma Cidade” de Arne Sucksdorff 

 

Bibliografia básica: 

NICHOLS, Bill. Introdução ao documentário. Campinas: Papirus Editora, 2005. 

BRESSON,Robert. “Notas sobre o Cinematógrafo” (Iluminuras, Editora). 

CAVALCANTI, Alberto. Filme e realidade. RJ, 1977: (Editora Artenova).

COMOLLI, Jean-Louis, Ver e Poder, (Editora UFMG,

sobre o professor

Professor

  • Joel Pizzini
    Joel Pizzini é cineasta, pesquisador, autor de ensaios documentais premiados internacionalmente como "Caramujo-Flor" (1988), "Enigma de Um Dia”(1996), "Glauces" (2001) e "Dormente" (2006), Joel Pizzini conquistou com os longas "500 Almas" (2004) e “Anabazys" (2009), além da seleção oficial no Festival de Veneza, os prêmios de Melhor Filme, Som, Fotografia, Especial do Júri, Montagem, nos Festivais do Rio, Mar Del Plata, e Brasília. Para a televisão, à convite do Canal Brasil, realizou os retratos "Um Homem Só"(2001), "Elogio da Luz"(2003), "Retrato da Terra"(2004), "Helena Zero" (2006), entre outros. Conselheiro da Escola do Audiovisual de Fortaleza e Professorda PUC- Rj(pós-graduação em Comunicação) e Faculdade de Artes doParaná, Pizzini foi artista residente da Unicamp  do Arsenal/Fórum da Berlinale, dentro do projeto “Living Archive”.Trabalhou ainda como Curador da Restauração da obra de GlauberRocha.. Pesquisador de novas linguagens, participou do projeto Artecidade e da Bienal de São Paulo, Mercosul com” videoinstaçõese direção de performances. Diretor de“Elogio da Graça”(Melhor curta no Grande Premio do Cinema Brasileiro) e Mr.Sganzerla, vencedor do Festival É Tudo Verdade (2010) HBRFF em LosAngeles.  Dirigiu o filmensaio  "Olho Nú" (sobre NeyMatogrosso), co-produzido pelo Canal Brasil e Paloma Cinematográfica, premiado como melhor filme do Festival In-Edit e  FestCine América do Sul e selecionado oficialmente para o Doc Lisboa, e Festivais de Havana, Guadalajara, FIPA (Biarritz). Criou a instalação “Ruído no Branco”  a convite da Fundação Iberê Camargo em Porto Alegre (RS) e produziu e dirigiu "Mar de Fogo", curta experimental selecionado para a competição oficial da Berlinale, 2015 e Mostra Internacional de São Paulo. Teve recentemente seu filme Elogio da Sombra selecionado para a competição Oficial de Oberhausen, na Alemanha e recentemente dirigiu o documentário de invenção Rio da Dúvida, sobre a Expedição Rondon-Roosevelt em 1913, além de preparar o projeto Depois do Trem.