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A curadora e produtora que irá ministrar curso online no b_arco, preparou uma lista com livros estrangeiros, nacionais e um filme para compreender as questões de exposições e curadorias

Rejane Cintrão, curadora, produtora e pesquisadora que trabalha na área desde 1983, irá ministrar um curso exclusivo sobre “Práticas em Curadoria e Montagem de Exposições”, na programação #barcoemcasa, a partir da próxima semana. No curso, serão analisadas algumas exposições realizadas desde os anos 80 até o presente, onde conceitos curatoriais, projetos expográficos e alguns projetos educativos serão discutidos com os alunos. Além de um breve histórico sobre a evolução na montagem de exposições desde o início do século XX até o presente, nas duas últimas aulas, será proposta aos alunos  a realização de um pré-projeto curatorial e/ou expográfico para uma sala de exposição aleatória, com debates e discussões.

O tema das exposições e curadorias, que vem crescendo em meio às discussões sobre arte contemporânea, tem alguns marcos introdutórios que foram recomendados nesta lista de livros e um filme, criada por Rejane Cintrão. Separados por temas e cenários específicos, a professora recomenda estas leituras para aqueles que querem se iniciar na temática que será aprofundada no curso. Confira!

 

Livros sobre montagem de exposições

O’DOHERTY, Brian. No Interior do Cubo Branco. A ideologia do Espaço da Arte. São Paulo: Martins Editora. 

Este livro foi fundamental para mim. Eu o encontrei em uma livraria no Soho, que já não existe mais, quando morei alguns meses em Nova York, como bolsista da Fullbright no Brooklyn Museum, nos anos 80. É muito interessante porque é um dos primeiros livros que tratam da questão do espaço na obra de arte contemporânea, tendo como foco “o cubo branco”, ou seja, as salas de exposição totalmente brancas e quadradas,  “construídas segundo leis tão rigorosas quanto uma igreja medieval”. “Leis” essas, que são seguidas pelos mais importantes museus do mundo até hoje, à exemplo do MoMA. Iluminação com foco nas paredes, obras que são libertadas das molduras, arte em fusão com a arquitetura, produção de pinturas de grandes dimensões, são alguns dos temas abordados.

SEROTA, Nicolas. Experience or Interpretation: the Dilema of Museums of   

Modern Art. Nova York: Thames and Hudson, 1996.

Fundamental para quem quer saber um pouco sobre como os espaços de exposição mudaram radicalmente nos anos 1920, tanto na Europa quanto no Brasil. E, por sinal, não foram os americanos, mas os alemães, os autores dessa mudança tão importante para a arte. Foi por meio deste livro também, que tomei conhecimento de um projeto incrível na Alemanha: o Museuminsel Hombroich. 

 

STANISZEWSKI, Mary Anne. The Power of Display: A History of Exhibition Installation at the Museum of Modern Art. Cambridge:  The MIT Press, 1998. Este livro apresenta diversos projetos expográficos realizados desde os anos 40, mostrando que a criação do mobiliário expositivo pode, muitas  vezes, manifestar ideologias, política, e, principalmente, a leitura das obras. Muito bem ilustrado, e com uma pesquisa impecável, é uma verdadeira joia para quem quer estudar o assunto. Difícil de encontrar, caro hoje em dia, e só existe em inglês, mas vale o investimento.

 

Leituras em português e para entender sobre o assunto no Brasil, em especial em São Paulo

Pedrosa, Adriano. Concreto e Cristal: o acervo do MASP nos cavaletes de Lina Bo Bardi.  Com textos de profissionais de diversas áreas, este livro trata, também, de um dos projetos mais inovadores e admirados por expógrafos no mundo todo.  Por meio dos textos e imagens, o leitor adentra os bastidores do MASP desde a catalogação e conservação, à montagem das obras nos cavaletes de concreto e vidro criados por Lina Bo Bardi.

CINTRÃO, Rejane. Algumas exposições exemplares: as salas de exposição na São Paulo de 1905 a 1930. Zouk Editora, Porto Alegre, 2011.

Este livro é fruto de meu mestrado na ECA/USP. Quando fiz a pesquisa não existia Google nem Wikipedia. Foi no Arquivo do Estado e em bibliotecas maravilhosas e fundamentais para pesquisa, como as da FAU e ECA na USP, Mario de Andrade e Centro Cultural São Paulo, entre outras, que encontrei matérias e imagens que me surpreenderam. Em especial um dos artigos escrito por Aracy Amaral no livro Arte e Meio Artístico: Da Feijoada ao X-Burguer, onde ela fala sobre Theodor Heuberguer, um alemão que mudou a maneira de apresentar obras no Rio de Janeiro e em São Paulo no final dos anos 1920. 

 

Leituras sobre curadoria

DIAS RAMOS, Alexandre. Sobre o Oficio do Curador (org), Zouk Editora , Porto Alegre, 2010

Talvez o primeiro livro a reunir textos de diversos curadores no Brasil. Organizado por Alexandre Dias Ramos, o livro reúne textos de diversos curadores brasileiros como Cauê Alves, Cristiana Tejo, Paula Braga, Tadeu Chiarelli, Walter Zanini e Glória Ferreira, além da artista Mabe Bethônico. Há, também, um texto de minha autoria intitulado As montagens de exposições: dos Salões de Paris ao MoMA, um dos assuntos que abordarei na primeira aula.

SZEERMANN, Harald. Ecrire les expositions. Bruxelas: La Lettre Volée, 1996.

Textos e entrevistas realizados pelo curador, artista e historiador da arte suíço,  cuja primeira e mais conhecida curadoria Quando as atitudes tornam-se forma (“When attitudes becomes form : live in your head“), datada de 1969 ,  foi realizada na Kunsthalle de Berna. Fundamental para quem quer seguir na área de curadoria. 

Catálogos do Grupo de Estudo em Curadoria do MAM São Paulo. Anos 1990
Reúnem diversas mostras realizadas a partir do acervo do Museu, por um grupo de novos curadores encabeçado por Tadeu Chiraelli, Curador-Chefe do MAM na época.

 

Filme

The Square, 2017, escrito e dirigido por Ruben Ostlund, mostra, por meio de um humor cítrico, a história de um curador em um museu na Suécia, com situações que envolvem artistas, curadores, profissionais do museu e diversas situações inacreditáveis, mas muito possíveis em Museus e Instituições contemporâneas.  Não me alongarei porque o filme é sensacional, e não quero ser spolier