\blog

Livros sobre roteiro, ou não, que inspiram o professor do curso “Roteiros de Ficção – O Trabalho de um Criador de Séries”

Em novembro, o b_arco irá promover o curso “Roteiros de Ficção – O Trabalho de um Criador de Séries” com o roteirista e escritor Marcelo Montenegro. Neste curso, Marcelo, que passou pelas maiores produtoras do Brasil com grandes criações, vai compartilhar sua experiência e as principais ferramentas para se tornar um criador de séries de ficção.

Para aqueles que pretendem se tornar roteiristas de ficção, as referências são múltiplas. Por isso, Marcelo Montenegro indicou ao blog do b_arco referências importantes para este trabalho, indicando que não só de teoria sobre roteiro vive o conhecimento necessário para escrever. Confira abaixo:

Uma das coisas cruciais para roteiristas de ficção – ou para qualquer área, penso eu – é a não-circunscrição. Como dizia Lichtenberg, “quem entende só de química, não entende nem de química”. Isso, para dizer que a minha lista ideal de livros sobre roteiro traria livros que não são sobre roteiro. Mas, para não ficar muito longo ou subjetivo demais, deixo aqui três sugestões de grandes livros que – cada um a seu modo – são e não são sobre roteiro. 

Marcelo Montenegro

 

“A linguagem secreta do cinema”, Jean-Claude Carrière (Nova Fronteira, 1994)

Do roteirista de clássicos como A bela da tarde e A insustentável leveza do ser, é o exemplo perfeito da minha lista. Um livro sobre cinema, sobre o mundo, sobre o aspecto humano da linguagem. Com direito a histórias de processos criativos e afetivos de Carrière ao lado de parceiros como Luis Buñuel, Peter Brook, Milos Forman e Jacques Tati. Uma maravilha.  

 

“Só as partes engraçadas – E algumas verdades difíceis sobre o ambiente machista que é Hollywood”, Nell Scovell (Harper Collins Brasil, 2018)

Roteirista de Os Simpsons e Sabrina – além de escrever tiradas de humor para os discursos de Barack Obama –, Scovell foi precursora ao denunciar a falta de diversidade racial e de gênero nas salas de roteiro americanas. Como diria Ana Cristina Cesar: “Autobiografia. Não, biografia. Mulher”

 

“Trumbo”, Bruce Cook (Intrínseca, 2015)

Fruto do macarthismo, um dos episódios mais tristes e mais hipócritas da história americana (e que, inacreditavelmente, voltou a fazer sentido), a Lista Negra – publicada em 1947 no The Hollywood Reporter – trazia nomes de profissionais de Hollywood supostamente envolvidos com o comunismo. Considerados “inimigos da América”, centenas de trabalhadores (boa parte roteiristas, mas não só) ficaram impedidos de exercer sua profissão. Alguns foram presos, caso de Dalton Trumbo, roteirista de A princesa e o plebeu, Spartacus e Papillon, entre muitos outros. De quebra, o livro traz uma visão privilegiada desse tipo peculiar de operário que é um roteirista profissional.