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A professora de Introdução à Narrativa Audiovisual parte de um grande  blockbuster para trazer reflexões sobre estrutura narrativa no cinema

 Die Hard (bra: Duro de Matar) é um filme de ação americano de 1988, dirigido por John McTiernan e estrelado por Bruce Willis, com roteiro de Steven E. de Souza e Jeb Stuart baseado em um romance de 1970 do escritor Roderick Thorp intitulado Nothing Lasts Forever. Mais de 30 anos depois de seu lançamento, ainda é um dos filmes de ação mais reconhecidos da história e, para a professora Marta Nehring, um prato cheio para refletir sobre a narrativa no cinema. 

Marta, que é roteirista profissional desde 2009 e também diretora de documentários, mestre em Teoria Literária e doutora em Cinema (ambos pela USP) e ministra aulas de roteiro, irá oferecer o curso online “Introdução à Narrativa Audiovisual” na programação #b_arcoemcasa em agosto. Neste curso, apresenta as ferramentas fundamentais do roteiro para quem quer se lançar na profissão sem perder a liberdade criativa, promovendo análises de filmes desde Tarkovsky até obras com roteiros mais clássicos como o próprio Duro de Matar

Para a professora, Duro de Matar nos ajuda a entender a estrutura do chamado cinema clássico americano na medida em que “corresponde ao passo a passo da tão falada Jornada do Herói. Ao mesmo tempo procede a algumas inovações, como por exemplo o personagem interpretado por Bruce Willis ser um policial que está indo visitar a ex-esposa e mãe dos filhos que é professionalmente melhor sucedida do que ele. Um par romantico no qual a mulher ganha mais que o homem atraiu o publico feminino, resultando num gigantesco sucesso de bilheteria”.

Relevância dos diálogos na obra

“Uma das grandes angústias de quem quer escrever um roteiro é como irá estruturar a história”, comenta Marta. “A Jornada do Herói virou uma grande panacéia. Mas quando pensamos em um caso como Duro de Matar, o que faz o filme ser interessante não é seguir a estrutura by the book, mas sim o quanto inova na dinâmica das personagens que subverte o buddy film, um subgenero de ação. Outro aspecto interessante, que aliás é uma caracteristica do cinema hollywoodiano, é a função estruturante dos diálogos, por exemplo, a conversa ao mesmo tempo provocativa e informativa entre o protagonista e o antagonista. Para dar conta dessa “necessidade” do papo a estrutura narrativa, o roteiro planta uma comunicação via radio que acaba funcionando como os celulares de hoje”.

 “É importante lembrar também que quando fazemos escolhas estruturais, estas também são escolhas ideológicas. Não existe cena e composição de personagem que não sejam profundamente ideológicos, qualquer imagem traz em si e reproduz uma determinada visão de mundo.”

O aprendizado da estrutura

Um dos objetivos do  curso que se inicia no próximo dia 10 de agosto é desenvolver o olhar atento às várias camadas que entram em jogo na hora de estruturar uma história audiovisual. “Por isso, no curso, temos a liberdade de combinar análises de filmes do Tarkovsky com leituras do Duro de Matar. A gente aprende melhor estudando todos os tipos de cinema. É um bom caminho para não ficar preso à formulas cansadas e história com aquele gosto rançoso do “já vi isso antes”. A análise filmica é uma ferramente fundamental para entender o que já foi feito nestes mais de 120 anos de cinema e, assim, ter domínio do que se quer fazer sem ficar preso a regras que com frequência comprometem a criatividade”.