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Escritores que irão ministrar curso no b_arco sobre o “O Prazer de Ler e o Prazer de Escrever” , prepararam diversas indicações para o nosso blog

Ruy Castro e Heloisa Seixas são parceiros no casamento e no amor pela palavra. Como leitores e escritores experientes, prepararam um curso exclusivo para compartilhar com a comunidade do b_arco o prazer em ler e escrever. O cursos consiste em quatro aulas em que Ruy e Heloisa partem de suas experiências pessoais, como leitores e escritores, para comentar aspectos importantes da relação humana com a literatura.

Para dar um gostinho das inúmeras indicações literárias do casal, o blog do b_arco preparou uma seleção específica de literatura em línguas estrangeiras. Autores franceses, americanos e ingleses integram as listas de Ruy e Heloisa que, na próxima semana, ministraram aulas online no b_arco! Confira abaixo!

Literatura estrangeira, por Heloísa Seixas

Orgulho e preconceito, de Jane Austen (1813) – Uma mestra da narrativa, Jane Austen é adorada até hoje e seus fãs se unem em confrarias pelo mundo afora. Seus livros – Razão e sensibilidade, A Abadia de Northanger, Ema, Persuasão – têm humor e reviravoltas geniais e surpreendentes. Orgulho e preconceito é sua obra-prima. 

Jane Eyre, de Charlotte Brontë (1847) – Outra mestra da narrativa entre as inglesas do século XIX. A saga da jovem Jane Eyre, sua infância miserável, a ascensão através do estudo, a vida de governanta e um milhão de desventuras que vive até o final feliz, nos prendem de forma incontornável. 

Oliver Twist, de Charles Dickens (1839) – Oliver Twist é uma delícia de livro, como quase tudo que Dickens escreveu. A narrativa desse escritor inglês (nascido em 1812) pode até ter altos e baixos, mas seus personagens são tão fortes, tão verdadeiros – principalmente os vilões – que seguram qualquer trama. Em Oliver, história de um pobre menino órfão (quase um conto de fadas), os malvados, como o velho Fagin e o pequeno Artful Dodger, são inesquecíveis. 

Histórias extraordinárias de Edgar Allan Poe (1839) – Qualquer conto de Poe que for levado para uma ilha deserta será capaz de nos alimentar durante muitos anos. As histórias desse americano maluco (e alcoólatra), que é considerado o pai das literaturas de suspense e terror, são tão densas, tão cheias de camadas e significados, que nos saciam de uma forma única. Histórias extraordinárias (Histoires Extraordinaires) foi o título dado por Charles Baudelaire ao livro Tales of the Grotesque and Arabesque, ao traduzi-lo para o francês. 

A letra escarlate, de Nathaniel Hawthorne (1850) – Este é um caso de livro cujo início é difícil. Hawthorne (nascido em 1804 na cidade americana de Salem) faz uma introdução de mais de quarenta páginas, na qual relata em minúcias seu trabalho – árido, monótono – na velha Alfândega de sua cidade natal, até o momento em que encontra um pedaço de tecido vermelho em forma da letra “A” e, junto com ele, os registros contando a história de Hester Prynne, mulher acusada de adultério. A partir daí, o leitor se vê completamente envolvido por Prynne e sua linda filha, Pearl.   

Trilogia de Nova York, de Paul Auster (1986) – Melhor livro de Auster, escritor que tem altos e baixos, capaz de escrever coisas espetaculares como Palácio da lua e bobagens como Mr. Vertigo. Só pela Trilogia de Nova York, já valeu a pena Auster ter insistido em ser escritor (foi recusado por inúmeras editoras no começo da carreira).   

Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust (1913 a 1927) – Dizem que ler Proust faz bem à saúde. Há estudos sobre isso. O mais extraordinário a respeito desse autor francês (nascido em 1871) é que você pode abrir qualquer um dos sete volumes de Em busca do tempo perdido, em qualquer página, ao acaso, e se deliciar com a leitura. Os olhos minimalistas de Proust não têm igual na literatura. 

Bela do senhor, de Albert Cohen (1968) – Esse é outro livro que provoca a criação de confrarias, sociedades de seguidores fanáticos. Com razão. A história é envolvente, bem escrita – e o final é um coice no estômago. 

As mil e uma noites, vários autores – Certa vez, numa entrevista concedida a repórteres brasileiros, Borges disse que levaria As mil e uma noites para uma ilha deserta. A ideia é perfeita, porque são camadas e mais camadas de histórias que se vão desdobrando umas das outras. De origem vária – há contos da Síria, do Irã e de outros países –, as histórias de As mil e uma noites têm inúmeras edições. É preciso escolher uma edição boa, que traga as histórias mais representativas.  

Ficções, de Jorge Luis Borges (1944) – Outro caso de autor que, se tivesse nascido na Europa ou nos Estados Unidos, seria conhecido no mundo inteiro como um dos maiores escritores de todos os tempos. Se pegarmos um único conto de Borges – “O Aleph”, “Ruínas circulares”, “A biblioteca de Babel”, “Tlön, Uqbar, Orbis Tertius”, qualquer um – e formos condenados a relê-lo, só ele, pelo resto de nossos dias, ainda assim teremos uma vida rica, povoada de fantasia. 

Lolita, de Vladimir Nabokov (1955) – Se William Faulkner foi genial ao entrar na cabeça de um retardado mental em O som e a fúria, o russo Vladimir Nabokov foi brilhante ao mostrar o esfacelamento psíquico de Humbert, que se agrava à medida que a narrativa avança. Só um grande escritor é capaz de fazer isso com tal maestria.   

Sete contos góticos, de Isak Dinesen (1934) – A dinamarquesa Karen Blixen, ou Isak Dinesen, como se assinava, escreveu poucos livros (começou a publicar com quase 50 anos), entre os quais o mais conhecido é A fazenda africana (Out of Africa), que virou filme nos anos 1980 (com Robert Redford e Meryl Streep). Na introdução de Sete contos góticos, seu primeiro livro, ela admite ter começado a escrever para esquecer a vida real, que se tornara um inferno depois da morte do homem que amava e da perda de sua fazenda. Seus contos fantásticos (que fazem pensar em Borges), sua narrativa cheia de camadas (que lembram as de As mil e uma noites), são absolutamente encantatórios.   

 

Literatura estrangeira, por Ruy Castro

Frankenstein, de Mary Shelley (1818) – Frankenstein é escrito de forma fragmentada, com narrativas de diferentes pessoas (inclusive, a certa altura, um diário do próprio monstro). Embora essa fosse uma forma de escrever comum na época (começo do século XIX), em Frankenstein ela acaba soando como uma espécie de metáfora desse ser feito de pedaços de cadáveres. Fiz uma tradução-condensação dele para a Companhia das Letras.

Alice no país das maravilhas, de Lewis Carroll (1865) – É daqueles livros que todo mundo conhece, mas pouca gente leu na íntegra. Não é uma leitura fácil. O ideal é ler no original, mas para isso é preciso um excelente conhecimento da língua inglesa, pois o livro é cheio de jogos de palavras, duplos sentidos e neologismos. Foi o primeiro livro que li na vida, aos cinco anos, numa tradução assinada por Monteiro Lobato — acho que só assinada… Fiz também uma tradução-condensação dele, mas para a Companhia das Letrinhas.

A ilha do tesouro, de Robert Louis Stevenson (1883) – Para mim, o maior livro de Stevenson, autor também de O médico e o monstro e que também adoro. Stevenson foi um escritor aventureiro que nasceu na Escócia (em 1850) e foi morrer na ilha de Samoa. A ilha do tesouro é de tradução difícil, por causa da quantidade de expressões usadas por piratas e marinheiros. Seu personagem principal é um garoto, como acontece em vários clássicos de aventura da literatura inglesa e americana.  

Ela, de H. Rider Haggard (1887) – Autor de As minas do rei Salomão, Rider Haggard, famosíssimo em seu tempo, hoje é um nome pouco conhecido. Mas é um dos maiores mestres da literatura de aventura em todos os tempos e, ao ler qualquer um de seus livros, o leitor entenderá de onde Steven Spielberg tirou as histórias de Indiana Jones. Quem lê as primeiras páginas de Ela não consegue mais largar. 

O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde (1891) – É o único romance desse poeta, dramaturgo e polemista que foi uma das mais fabulosas figuras da literatura inglesa. É também dramaticamente parecido com a desgraça que lhe ocorreu na vida real.  

O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald (1925) – Além da linguagem de Fitzgerald, refinadíssima, a história é envolvente – e terrível. O final do romance é belíssimo, mas arrasador. 

Madame Bovary, de Gustave Flaubert (1856) – Madame Bovary, a história de uma mulher frívola, que trai o marido, é o livro mais famoso de Flaubert e o exemplo definitivo do uso da palavra exata para escrever. Por causa dele, Flaubert foi levado aos tribunais como imoral.

As ligações perigosas, de Choderlos de Laclos (1782) – Neste romance epistolar, Laclos consegue, sem interferir na narrativa, mas atendo-se ao texto das cartas que são trocadas pelos personagens, dar incrível dramaticidade a essa história de intriga, inveja, amor e ódio. 

Os três mosqueteiros, de Alexandre Dumas (1844) – Dumas publicou Os três mosqueteiros inicialmente em forma de folhetim. É um capa-e-espada maravilhoso, mas muito volumoso, que poucas pessoas leram na íntegra (as versões resumidas são mais comuns). Quem tiver fôlego, pode ler também as continuações da história, Vinte anos depois e O visconde de Bragelonne

Com o diabo no corpo, de Raymond Radiguet (1923) – Essa pequena obra-prima foi escrita por Radiguet quando ele tinha 16 anos e a história narrada foi vivida por ele aos 14 (quando teve um caso com uma mulher casada, de 24). Aos 20, Radiguet estava morto. 

E eu poderia citar mais uns 100 romances em cada língua, se tivesse espaço…