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Escritores que irão ministrar curso no b_arco sobre o “O Prazer de Ler e o Prazer de Escrever” , prepararam diversas indicações para o nosso blog

Ruy Castro e Heloisa Seixas são parceiros no casamento e no amor pela palavra. Como leitores e escritores experientes, prepararam um curso exclusivo para compartilhar com a comunidade do b_arco o prazer em ler e escrever. O cursos consiste em quatro aulas em que Ruy e Heloisa partem de suas experiências pessoais, como leitores e escritores, para comentar aspectos importantes da relação humana com a literatura.

Para dar um gostinho das inúmeras indicações literárias do casal, o blog do b_arco preparou uma seleção específica de literatura em língua portuguesa. Autores brasileiros e portugueses integram as listas de Ruy e Heloisa que, em próximas postagens, também trarão indicações em língua estrangeira. Confira abaixo!

Indicações de Heloísa Seixas

Os Maias, de Eça de Queiroz (1888) – O que dizer de Eça? Mesmo seus “piores” livros – como A relíquia, no qual a crítica aponta falhas – são espetaculares. E se até as pedras portuguesas sabem que Os Maias é sua obra-prima, então o que dizer dele? Só direi uma coisa: no final, dá vontade de aplaudir de pé.

Dentro da noite, de João do Rio (1910) – João do Rio em geral só é lembrado como cronista, mas foi um grande escritor de ficção. Seus contos de Dentro da noite, por exemplo, deixam o leitor sem ar, expondo vícios e taras que não ficam nada a dever a Nelson Rodrigues (só que escritos meio século antes). 

Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa (1956) – Não é à toa que Grande sertão é tido por muitos como o maior romance brasileiro de todos os tempos. A história do jagunço Riobaldo, escrita numa linguagem única, original, verdadeira prosa poética – nos arrebata.

 

Indicações de Ruy Castro

Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida (1852) – Verdadeiro retrato da vida privada no Rio do início do século dezenove, o livro de Manuel Antônio de Almeida é divertido e genial. É considerado, com razão, o primeiro romance genuinamente brasileiro e, escrito em plena era do romantismo, foi um dos precursores mundiais do realismo.

Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis (1881) – Machado de Assis é um caso raro. Tivesse nascido nos Estados Unidos ou na Europa e seria um dos maiores nomes da literatura mundial, ao lado de Dickens ou Dostoievski. Sua genialidade e modernidade, principalmente em Brás Cubas, são impressionantes.

O casamento, de Nelson Rodrigues (1966) – Consagrado como dramaturgo – sem dúvida o maior que o Brasil já teve – e muito popular como cronista, Nelson Rodrigues ainda não teve o devido reconhecimento como romancista. O casamento é uma obra-prima de humor e perversão.   

A borboleta amarela, de Rubem Braga (1955) – Rubem foi o maior cronista brasileiro que existiu – e não tem para mais ninguém. Além de A borboleta amarela, outras coletâneas de contos seus, como Um pé de milho, Ai de ti Copacabana ou qualquer outra, poderiam estar nesta lista. 

Pessach, a travessia, de Carlos Heitor Cony (1967) – Da primeira safra de Cony – antes do intervalo de 23 anos sem escrever, que só acabou quando ele fez o Quase memória –, o romance Pessach, a travessia é o mais marcante. A ação se passa no começo da ditadura militar e o protagonista tem muito do autor, um dos heróis da resistência naquele tempo.